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Mostar: a ponte que une mundos, religiões e histórias

  • Foto do escritor: andrechrodrigues
    andrechrodrigues
  • 15 de set.
  • 3 min de leitura

Viajar para Mostar, no coração da Bósnia e Herzegovina e quase na divisa com a Croácia, é como atravessar uma ponte que liga séculos de encontros, conflitos e reconciliações.


A cidade é famosa pela Stari Most, a Ponte Velha, mas o que realmente encanta é a maneira como culturas diferentes se misturam em cada esquina, café e becos.


Uma cidade nascida do encontro de culturas


Mostar surgiu no século XV, quando o Império Otomano se expandia pelos Bálcãs. O nome da cidade vem de mostari, palavra que designava os guardiões da ponte.


Desde o início, foi um ponto de conexão: caravanas de mercadores vindas do interior dos Bálcãs cruzavam o rio Neretva rumo ao Adriático, trazendo especiarias, tecidos e ideais diferentes.


Por lá, mesquitas muçulmanas ao lado de igrejas ortodoxas e católicas, bazares ao estilo turco dividindo espaço com cafés mais "europeizados".


Bazar no início do caminho até a ponte
Bazar no início do caminho até a ponte

A famosa Ponte Velha


O símbolo máximo de Mostar é a Stari Most, erguida em 1566 a mando do sultão Solimão, o Magnífico. Para a época, foi um feito de engenharia ousado: um arco único de quase 30 metros de comprimento, desafiando o rio de águas verdes. Por séculos, a ponte representou união e orgulho.


Dizem que jovens bósnios treinavam desde pequenos para saltar da ponte nas águas geladas, um ritual de coragem que continua até hoje.


Durante a guerra da Bósnia, em 1993, a ponte foi destruída por bombardeios, tornando-se símbolo da tragédia que dividiu o país. Reconstruída pedra por pedra e reaberta em 2004, a Stari Most é hoje Patrimônio Mundial da UNESCO e, mais que isso, um lembrete histórico de que reconciliação é possível.


A famosa ponte
A famosa ponte
A vista de cima da ponte, com uma Mesquita e minaretes ao fundo
A vista de cima da ponte, com uma Mesquita e minaretes ao fundo

Geopolítica e cicatrizes recentes


Para entender Mostar, é preciso lembrar que a Bósnia e Herzegovina fica numa encruzilhada dos Bálcãs. Durante séculos, o território foi disputado por impérios – Bizantino, Otomano, Austro-Húngaro, e, mais recentemente, se tornou palco das guerras que marcaram a dissolução da Iugoslávia nos anos 1990.


A cidade ainda guarda marcas desse passado. Caminhar por suas ruas é ver paredes com marcas de tiros, ao lado de cafés cheios de jovens e turistas, a maioria chineses.


É sentir que a história recente não é apenas memória: ela vive no cotidiano, na convivência entre comunidades bósnias muçulmanas e croatas católicas, na política complicada e na economia que busca se reconstruir.


Resquícios da ocupação otomana na região
Resquícios da ocupação otomana na região

Uma das atmosferas mais diferentes que já vivi


Apesar das cicatrizes, Mostar tem uma energia acolhedora. O bazar na viela principal, com suas ruelas de pedra escorregadia e lojinhas de cobre, lembra os antigos souks do Oriente Médio.


Minaretes se destacam no horizonte, enquanto o cheiro de café bósnio, forte e aromático, convida a sentar e observar a vida passar.


À noite, quando as luzes se acendem e a Stari Most se reflete nas águas esmeralda do Neretva, a cidade parece suspensa no tempo.

O bazar da rua principal, a poquíssimos metros da ponte
O bazar da rua principal, a poquíssimos metros da ponte

Dicas para o viajante


  • Melhor hora para visitar a ponte: no início da manhã ou no pôr do sol, quando a luz destaca o arco de pedra e o movimento de turistas é menor.


  • Experimente o café bósnio: servido em pequenas cafeteiras de cobre, com ritual que lembra o turco, é quase uma cerimônia.


  • Passeio de um dia a partir de Split ou Dubrovnik: muitos viajantes (assim como eu) combinam Mostar com a costa croata.

O legítimo café bósnio, um dos melhores que já tomei
O legítimo café bósnio, um dos melhores que já tomei

Por que Mostar importa


Mostar é um símbolo de resiliência, um lembrete de que povos diferentes podem, apesar de tudo, compartilhar o mesmo espaço e reconstruir laços.


Caminhar por suas ruelas é perceber que as pontes mais importantes não são de pedra, mas as que se formam entre as pessoas.


Para quem ama viajar para entender o mundo, Mostar é daqueles lugares que contam uma história maior que eles próprios: a de um continente que se reinventa entre choques, memórias e encontros.


Eu vou ficando por aqui, e espero que tenha gostado da minha visão sobre Mostar.


Não deixe de conferir meu texto sobre Split, na Croácia, e também, meu canal no Youtube.


 
 
 

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